sábado, 7 março 2026

Forças Armadas reconhecem Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela

As Forças Armadas da Venezuela reconheceram, neste domingo (4), a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina do país, após a prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos (EUA) no sábado (3). O anúncio foi feito pelo ministro da Defesa, Vladimir Padrino, em pronunciamento televisionado, no qual endossou a decisão do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) e pediu calma à população.

Segundo Padrino, a medida visa preservar a ordem interna e garantir o funcionamento das instituições. O ministro também fez um apelo para que os venezuelanos retomem suas atividades econômicas, educacionais e laborais nos próximos dias, apesar do clima de tensão que tomou conta do país após os ataques em Caracas.

A posição das Forças Armadas veio na esteira da decisão tomada pelo Tribunal Supremo de Justiça, ainda no sábado. O TSJ determinou que Delcy Rodríguez assumisse interinamente os poderes do presidente da República, “a fim de garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da Nação”, diante da ausência forçada de Maduro.

O tribunal informou ainda que irá analisar, nos próximos dias, o quadro jurídico aplicável para assegurar a continuidade do Estado, da administração do governo e da defesa da soberania nacional enquanto durar a ausência do chefe do Executivo.

Logo após a captura de Maduro, Delcy Rodríguez convocou ministros e lideranças políticas para uma reunião emergencial em Caracas e fez um pronunciamento em cadeia nacional. Na ocasião, afirmou que a Venezuela “nunca será colônia de nenhuma nação” e classificou a prisão do presidente como um “sequestro promovido pelos Estados Unidos”.

Delcy também declarou que Nicolás Maduro continua sendo o presidente legítimo do país, mesmo sob custódia americana, e defendeu a mobilização institucional para enfrentar o que chamou de agressão externa.

O pronunciamento contou com a presença do presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, do ministro do Interior, Diosdado Cabello, além dos titulares das pastas das Relações Exteriores e da Defesa, reforçando o alinhamento do alto escalão do governo.

Pressão internacional e julgamento nos EUA

Enquanto isso, os Estados Unidos afirmaram que Maduro será julgado em Nova York, onde chegou ao centro de detenção no fim da noite de sábado. Ele e a primeira-dama, Cilia Flores, respondem a acusações de narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e posse de armas e explosivos, segundo o Departamento de Justiça americano.

A crise provocou reações de aliados de Caracas. China e Coreia do Norte condenaram a ação dos EUA, pediram a libertação de Maduro e defenderam que a crise venezuelana seja resolvida sem interferência externa.

Com apoio militar interno, respaldo judicial e forte pressão internacional, a Venezuela entra em um período de transição política forçada, cercado de incertezas e com potencial impacto regional.

Fonte83

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