sábado, 7 março 2026

Interpol escolhe Brasil para liderar ofensiva histórica contra facções e cartéis na América do Sul

Em uma estratégia para frear a expansão do crime organizado transnacional na América do Sul, a Interpol escolheu o Brasil para comandar uma força-tarefa regional inédita, que reunirá polícias e órgãos de segurança de todos os países sul-americanos. O grupo terá sede em Buenos Aires, na Argentina, e mira o fortalecimento das conexões entre facções brasileiras e cartéis produtores de drogas da Colômbia e da região andina.

A formalização da iniciativa ocorreu na última semana, no Ministério da Justiça e Segurança Pública, em Brasília. Financiada e coordenada pelo governo brasileiro, a força-tarefa é considerada a mais ambiciosa tentativa de articulação estruturada já implementada na região para enfrentar organizações criminosas e suas redes internacionais.

O foco principal são as rotas do tráfico de drogas que ligam países produtores aos mercados consumidor europeu, asiático e africano, utilizando o território brasileiro como principal corredor logístico para exportação, especialmente de cocaína.

Embora a base operacional esteja instalada em Buenos Aires, onde já funciona um escritório regional estruturado da Interpol, a coordenação da nova estrutura ficará sob responsabilidade da Polícia Federal.

O governo federal custeará o primeiro ano da operação, com orçamento estimado em R$ 11 milhões. Durante o lançamento, o ministro da Justiça, Wellington Silva, afirmou que o projeto amplia o modelo das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco), que no Brasil integram policiais federais, rodoviários, militares e civis em operações de longo prazo.

A proposta é adaptar esse formato para uma cooperação policial internacional direta. “O crime organizado não respeita soberanias. Ele atua em rede. Se não formarmos uma rede policial mais ágil que a rede criminosa, estaremos sempre atrás”, declarou o ministro na cerimônia.

A iniciativa também é impulsionada pela atual gestão da Interpol. Pela primeira vez, a organização é comandada por um brasileiro, o delegado da PF Valdecy Urquiza. À frente da entidade, Urquiza tem defendido a descentralização das ações, com ênfase no chamado “sul global”, onde o tráfico de drogas e armas alimenta altos índices de violência.

Segundo ele, policiais selecionados de todos os países sul-americanos integrarão a força-tarefa. A escolha dos agentes está prevista para março, e as operações de campo e inteligência devem começar em maio.

De acordo com Urquiza, a nova estrutura terá acesso direto ao banco de dados global da Interpol, permitindo o cruzamento em tempo real de informações biométricas, registros de apreensões e dados financeiros. Policiais paraguaios, brasileiros e colombianos atuarão lado a lado em Buenos Aires.

“Eles poderão identificar ativos dessas organizações e gerar inteligência para novas operações. O modelo deve ampliar significativamente o volume de ações conjuntas”, afirmou.

Ainda segundo o secretário-geral, os agentes utilizarão bases de dados nacionais e da Interpol para conduzir investigações e deflagrar operações internacionais voltadas à prisão de lideranças criminosas e à apreensão de bens ligados às organizações que atuam na região.

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