sábado, 7 março 2026

Brics rachado: guerra entre EUA, Israel e Irã escancara divisão do bloco e isola Lula em crise global

Os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã, seguidos por retaliações de Teerã, evidenciaram divisões entre os países que compõem os Brics — Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Egito, Etiópia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã e Indonésia.

Brasil, China e Rússia condenaram a ofensiva iniciada no sábado (28/2). Já Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Índia evitaram críticas diretas aos bombardeios e concentraram suas manifestações na condenação aos mísseis disparados pelo Irã contra bases norte-americanas no Golfo Pérsico.

Segundo diplomatas ouvidos pela BBC News Brasil, o governo brasileiro consultou integrantes do bloco, mas não há previsão de uma posição conjunta. Em 2025, diante de situação semelhante, o grupo chegou a divulgar nota unificada — cenário considerado improvável agora, em razão das dimensões da crise e da presidência indiana do bloco.

A escalada começou com ataques aéreos contra alvos iranianos, que resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei e de integrantes do alto escalão. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a ação visava neutralizar ameaças ligadas ao programa nuclear iraniano, classificado por Teerã como pacífico.

Em resposta, o Irã lançou mísseis contra Israel e instalações dos EUA na região. O conflito se expandiu, com registros de ataques a partir do Líbano e da Síria.

Especialistas avaliam que o episódio expõe contradições na expansão dos Brics e coloca em dúvida a capacidade do grupo de agir de forma coordenada diante de interesses geopolíticos divergentes.

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