terça-feira, 4 agosto 2026

Por que a Paraíba abandonou o debate sobre um porto de águas profundas?

A Paraíba cresce economicamente, amplia sua produção e atrai novos investimentos, mas continua limitada por uma infraestrutura portuária incompatível com esse avanço. O Porto de Cabedelo tem importância histórica e deve ser modernizado, porém é pequeno e possui restrições físicas que dificultam sua transformação em um grande terminal internacional.

Enquanto Cabedelo movimenta um volume modesto de cargas, o Porto de Suape, em Pernambuco, concentra boa parte da demanda portuária do Nordeste. A diferença de capacidade entre os dois complexos revela o tamanho do atraso paraibano e a dependência logística do estado em relação aos seus vizinhos.

Suape continuará sendo fundamental, mas não poderá absorver indefinidamente o crescimento da região. O Nordeste é uma das áreas que mais avançam economicamente no Brasil e, nos próximos anos, precisará de maior capacidade para importar insumos, escoar produtos e atender à expansão da indústria, do agronegócio e do setor de energia.

Por isso, a Paraíba deveria retomar com urgência o debate sobre a construção de um porto de águas profundas. A proposta já foi discutida anteriormente, inclusive com estudos sobre uma possível implantação no Litoral Norte, mas desapareceu da agenda política sem explicações convincentes.

Um empreendimento desse porte poderia reduzir custos logísticos, atrair indústrias, centros de distribuição e operadores internacionais, além de beneficiar todas as regiões do estado. Não seria apenas uma obra para o litoral, mas uma estrutura estratégica para Campina Grande, o Sertão, o agronegócio, a mineração e as cadeias de energia renovável.

O problema é que a classe política paraibana permanece desunida e concentrada em projetos eleitorais imediatos. Deputados e senadores dedicam grande parte de seus mandatos à reeleição, à disputa por espaços partidários e à distribuição de emendas pulverizadas entre prefeituras, muitas vezes sem planejamento, integração regional ou impacto econômico duradouro.

A Paraíba precisa decidir se continuará dependente da estrutura portuária de Pernambuco ou se começará a planejar o próprio futuro logístico. Um porto de águas profundas exige estudos, articulação e visão de longo prazo, justamente aquilo que falta a uma classe política acostumada a pensar apenas na próxima eleição.

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Por: Paraiba.com

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