domingo, 9 agosto 2026

Apesar da artilharia pesada, desempenho de Lucas impressiona no 1º debate da eleição

Desenvolto e calmo, o governador Lucas Ribeiro passou segurança no seu primeiro grande teste eleitoral. Alvo preferencial dos adversários por carregar o peso — e também o bônus — de representar o governo, Lucas enfrentou uma verdadeira artilharia durante o primeiro debate da eleição estadual, realizado na noite desta sexta-feira (7), pela FGTV, MRTV, Portal Fonte83 e Blog do Márcio Rangel. E, para quem ainda tinha dúvidas sobre seu desempenho no confronto direto, o governador parece ter passado no teste.

Lucas chegou ao debate prometendo tranquilidade, mas avisando que os ataques não ficariam sem resposta. Foi exatamente o que fez. Sem elevar demasiadamente o tom ou demonstrar irritação, procurou responder às provocações de Cícero Lucena e Efraim Filho e, sempre que encontrou espaço, devolveu os ataques. Para um político jovem, ainda construindo sua imagem como cabeça de chapa numa eleição estadual, mostrou desenvoltura acima das expectativas.

Um dos melhores exemplos aconteceu no embate com Cícero sobre a remuneração das forças de segurança. O emedebista questionou Lucas sobre o salário dos policiais paraibanos. Em vez de ficar apenas na defensiva, o governador puxou para a discussão a gestão de Cássio Cunha Lima, aliado de Cícero, lembrando os problemas enfrentados pela segurança naquela época. Depois, virou a cobrança contra o próprio adversário ao questionar a remuneração da Guarda Civil Municipal de João Pessoa. Ainda anunciou para o próximo dia 20 de agosto o calendário de promoção dos sargentos. Apanhou, respondeu e contra-atacou.

Com Efraim, o confronto mais duro aconteceu na educação. Lucas destacou o Conexão Mundo e os resultados recentes da rede estadual; Efraim respondeu falando da falta de professores e de problemas estruturais nas escolas. Novamente, Lucas não se perdeu no ataque. Recorreu a números sobre alfabetização, crescimento do Ideb, remuneração dos professores e ao programa Primeira Chance. Efraim voltou a contestá-lo, mostrando que talvez tenha ocorrido ali o confronto mais equilibrado e substancial da noite.

É evidente que Lucas não saiu ileso. Segurança, educação e saúde são áreas sensíveis de qualquer governo e os adversários encontraram pontos para explorar. Mas debate eleitoral não é apenas uma disputa sobre quem possui o melhor número ou a estatística mais conveniente. É também televisão, postura, capacidade de improvisação e controle emocional. Nesse aspecto, Lucas conseguiu evitar uma imagem que poderia ser bastante prejudicial à sua campanha: a de um governador acuado por dois políticos mais experientes.

Talvez esse tenha sido o principal ganho da noite. Cícero tem décadas de vida pública e já disputou algumas das eleições mais importantes da história recente da Paraíba. Efraim está no Congresso há anos, foi deputado federal e hoje é senador. Lucas chegou ao primeiro confronto estadual como o mais jovem dos três e, naturalmente, como aquele cuja capacidade de suportar a pressão de um debate ainda precisava ser testada. Não pareceu intimidado.

Também soube explorar uma vantagem que nenhum dos adversários possui: a máquina de realizações de um governo para apresentar. Nas considerações finais, preferiu percorrer a Paraíba citando obras e ações em municípios como Itaporanga, Aguiar, Uiraúna, Sousa, Patos, Campina Grande e João Pessoa, tentando associar sua candidatura à continuidade administrativa e a uma gestão espalhada pelo Estado. Na saúde, após o debate, voltou a citar hemodiálise, novos hospitais, acelerador linear, UTIs aéreas, Opera Paraíba e Coração Paraibano como vitrines da administração.

Não dá para decretar vencedor de debate como se fosse partida de futebol. Cícero e Efraim tiveram bons momentos e conseguiram colocar o governador contra a parede em diferentes oportunidades. Mas, considerando que Lucas era o candidato com mais a perder — por ser governo, favorito aos ataques e estreante num confronto dessa dimensão —, seu desempenho chamou atenção.

Se os adversários imaginavam encontrar um jovem governador nervoso, preso aos números da assessoria e sem capacidade para reagir, encontraram algo diferente. Lucas demonstrou que sabe apanhar, sabe bater e, principalmente, consegue fazer as duas coisas sem perder a calma.

Para uma campanha que ainda terá muita artilharia pela frente, não é pouca coisa.

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Por: Paraiba.com

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