quarta-feira, 23 setembro 2026

Pesquisa Quaest mostra que “acordo de camaradas” na campanha só foi bom para Efraim

A nova pesquisa Quaest mostrou que o chamado “acordo de camaradas” entre Cícero Lucena e Efraim Filho só beneficiou um dos lados. Ao evitar qualquer confronto com o candidato do PL e concentrar todos os ataques em Lucas Ribeiro, Cícero ajudou Efraim a ganhar espaço político e, agora, perdeu para ele a segunda colocação na disputa pelo Governo da Paraíba.

Na penúltima rodada da Quaest, considerando apenas os votos válidos, Lucas aparecia com 48,7%, Cícero tinha 24,4% e Efraim somava 23,1%. Na pesquisa mais recente, Lucas disparou para 60,5%, Efraim passou a ocupar a segunda posição, com 19,8%, e Cícero caiu para o terceiro lugar, com 18,5%. Pedro Coutinho completa o quadro, com 1,2%.

É verdade que Efraim também perdeu percentual entre uma rodada e outra. Mas perdeu menos que Cícero e foi o grande beneficiado político da estratégia adotada pelo emedebista. Enquanto Cícero caiu 5,9 pontos entre os votos válidos, Efraim recuou 3,3 pontos e conseguiu ultrapassá-lo. O “acordo de camaradas” não fez os dois crescerem; apenas permitiu que Efraim sangrasse menos e tomasse de Cícero a segunda colocação.

Em todos os debates, inclusive quando Lucas Ribeiro não compareceu, Cícero jamais tratou Efraim como adversário. Não confrontou suas propostas, não explorou suas fragilidades e não questionou suas contradições. Os dois preferiram atuar praticamente em dobradinha, dirigindo críticas exclusivamente ao governador e oferecendo ao eleitor a imagem de uma oposição unificada contra Lucas.

A estratégia terminou fortalecendo justamente o discurso que Lucas repetia desde o início da campanha: o de que Cícero e Efraim eram, eleitoralmente, um só. Ao se recusarem a disputar entre si, os dois deram razão ao governador e permitiram que ele ocupasse sozinho um campo político distinto. O resultado aparece nos números: Lucas saltou de 48,7% para 60,5% dos votos válidos e, hoje, venceria a eleição no primeiro turno.

Menos popular, mas também menos rejeitado que Cícero, Efraim foi quem melhor aproveitou a trégua. Sem ser atacado pelo principal concorrente na disputa pela segunda colocação, preservou-se, consolidou seu eleitorado e ultrapassou o emedebista. Cícero poupou Efraim imaginando construir um aliado para o segundo turno, mas pode ter ajudado o adversário a ocupar a vaga que julgava ser sua.

No fim das contas, o “acordo de camaradas” produziu dois vencedores: Efraim, que assumiu a segunda colocação, e Lucas, que ampliou a vantagem e fortaleceu a narrativa de que enfrentava uma única oposição com duas candidaturas. Para Cícero, restou o prejuízo de uma estratégia que protegeu o adversário e enfraqueceu a própria campanha.

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Por: Paraiba.com

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