O Instituto Vladimir Herzog (IVH) divulgou uma nota pública em que questiona a cobertura da imprensa brasileira sobre a campanha eleitoral deste ano e alerta para os riscos que, segundo a organização, a candidatura de Flávio Bolsonaro representa para a democracia, os Direitos Humanos e as liberdades constitucionais. A entidade, que se define como apartidária, critica o que considera uma naturalização da extrema-direita por parte de veículos de comunicação e defende que o jornalismo evidencie as diferenças entre os projetos políticos em disputa.
No documento, o instituto afirma que a missão do jornalismo de informar a sociedade e fiscalizar o poder está diretamente ligada à defesa da liberdade de expressão, ao combate à censura e à preservação da dignidade humana. Nesse contexto, a nota questiona se parte da imprensa tem cumprido seu papel histórico ao abordar os riscos que, na avaliação da entidade, estão presentes no cenário eleitoral. O IVH também critica a utilização generalizada do termo “direita” para se referir ao campo político ligado à candidatura de Flávio Bolsonaro, argumentando que a classificação mais adequada seria “extrema-direita”.
A organização aponta ainda preocupação com a cobertura que, segundo sua análise, estabelece equivalência entre as candidaturas, sem considerar diferenças de posicionamento e de trajetória em relação às instituições democráticas. A nota menciona os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023 e o processo penal que condenou envolvidos na tentativa de golpe de Estado, incluindo a existência de um plano para assassinar autoridades da República. Para o instituto, a campanha de Flávio Bolsonaro, ao questionar esse processo, coloca em debate a preservação do Estado Democrático de Direito.
O IVH também manifesta preocupação com possíveis consequências de uma eventual vitória da extrema-direita no segundo turno, citando riscos às garantias constitucionais, às políticas públicas de meio ambiente, saúde, ciência e educação, além dos mecanismos de transparência e combate à corrupção. O texto destaca ainda o cenário internacional e as relações do grupo político brasileiro com setores da extrema-direita estrangeira, especialmente nos Estados Unidos, afirmando que a soberania nacional também estaria em discussão.
Ao comparar o atual cenário com as eleições de 2018 e 2022, o instituto sustenta que o país dispõe hoje de experiências concretas do período em que o bolsonarismo esteve à frente do Executivo federal, o que, na avaliação da entidade, exige uma abordagem jornalística mais atenta às declarações e propostas dos candidatos. A nota argumenta que a cobertura eleitoral deve considerar o histórico dos grupos políticos e as consequências de suas posições para as instituições.
Na conclusão, o Instituto Vladimir Herzog defende que a objetividade jornalística não significa tratar como equivalentes projetos que apresentem diferenças relevantes em relação à democracia. Para a organização, cabe à imprensa informar a população sobre os fatos e os elementos que permitam compreender os riscos e as implicações das propostas em disputa. O documento encerra com um apelo para que o jornalismo assuma sua responsabilidade na defesa da cidadania, dos Direitos Humanos e das liberdades democráticas.
Por: Paraiba.com


















