Um manifestante perdeu uma das mãos neste sábado (17), após a explosão de uma granada policial em Saint-Étienne, durante uma ampla jornada de protestos que levou mais de meio milhão de pessoas às ruas da França, segundo a central sindical CGT.
A mobilização, que reuniu estudantes, sindicatos, agricultores, aposentados e remanescentes do movimento dos coletes amarelos, foi marcada por confrontos em diversas cidades, centenas de detenções, uso intenso de gás lacrimogêneo e renovadas críticas à estratégia de manutenção da ordem adotada pelo governo de Emmanuel Macron.
O episódio registrado em Saint-Étienne tornou-se o caso mais grave conhecido até o momento em um dia que já acumulava denúncias de uso excessivo da força, confrontos entre manifestantes e policiais e cenas de violência urbana em várias regiões do país.
Mas o caso de Saint-Étienne não é isolado. Em 5 de outubro, um estudante de 15 anos perdeu a mão esquerda durante um protesto estudantil em Lens, no norte da França, nas proximidades do liceu profissional Auguste-Béhal.
A repetição de ferimentos graves associados à atuação policial volta a alimentar o debate sobre o uso de armamentos de dispersão em manifestações e sobre a estratégia de manutenção da ordem adotada pelas autoridades francesas.
A mobilização ocorre a menos de seis meses da eleição presidencial francesa e catalisou diferentes formas de insatisfação social em torno do aumento do custo de vida, dos preços da energia, da precarização de serviços públicos e das reivindicações estudantis por melhores condições de ensino.
Segundo a CGT, o maior sindicato da França, mais de 500 mil pessoas participaram das manifestações em todo o país. O Ministério do Interior não divulgou balanço nacional equivalente, mas reconheceu forte mobilização em diversas cidades.
Até o fim da tarde, as autoridades contabilizavam ao menos 400 detenções em território francês, informa o jornal britânico The Guardian. O governo também relatou episódios considerados graves em cidades como Marselha, Lyon e Paris.
Ao longo de todo o dia, lideranças políticas, organizações estudantis e participantes dos protestos denunciaram uma resposta policial considerada excessiva, enquanto o governo atribuía os confrontos à atuação de grupos radicais de esquerda.
Governo relata centenas de detenções e confrontos simultâneos
O Ministério do Interior informou que manifestações expressivas foram registradas em Lyon, Nantes e Rennes, onde os cortejos reuniram dezenas de milhares de pessoas.
Segundo as autoridades, grupos black blocs compostos por centenas de integrantes se misturaram a parte das marchas, promovendo ataques contra policiais, depredações de prédios públicos e tentativas de saques a estabelecimentos comerciais.
O governo sustentou que organizações ligadas à ultraesquerda tiveram participação relevante nos episódios de violência. Integrantes do Ministério do Interior afirmaram que esses grupos buscavam deliberadamente transformar as manifestações em confrontos com as forças de segurança.
A leitura é contestada por setores da esquerda francesa, que acusam o governo de concentrar o debate público nos incidentes violentos e de obscurecer a dimensão social dos protestos.
O líder da França Insubmissa (LFI), Jean-Luc Mélenchon, da esquerda radical, criticou a cobertura contínua das cenas de confronto e afirmou que dezenas de milhares de pessoas participavam pacificamente dos atos pelo país.
Já Marine Tondelier, dirigente do partido Ecologistas, voltou a pedir uma revisão do método francês de manutenção da ordem. Segundo ela, a estratégia atual coloca em risco tanto manifestantes quanto policiais.
Repressão começou antes da saída dos principais cortejos
A resposta policial à jornada nacional de protestos começou antes mesmo da partida dos principais cortejos. Desde as primeiras horas da manhã, a capital francesa vivia sob forte vigilância das forças de segurança.
Milhares de pessoas foram submetidas a revistas preventivas em Paris, dezenas de manifestantes já haviam sido detidos e agrupamentos que começavam a se formar eram bloqueados pela polícia, numa demonstração de força que antecedeu os confrontos registrados mais tarde ao longo do dia.
As autoridades proibiram manifestações em áreas sensíveis da capital, incluindo os arredores do Palácio do Eliseu e da residência oficial do primeiro-ministro.
Um cortejo não autorizado que se dirigia ao Eliseu foi interceptado e dispersado pela polícia antes de alcançar a área protegida. Na Praça da República, principal ponto de concentração dos atos em Paris, as tensões aumentaram antes mesmo da saída da manifestação oficialmente autorizada.
Segundo a prefeitura de polícia, centenas de pessoas lançaram pedras e outros objetos contra agentes de segurança. As forças policiais responderam com gás lacrimogêneo e com o uso de canhões de água para dispersar os grupos envolvidos nos confrontos e garantir a saída do restante do cortejo.
Vídeos registrados no local mostraram manifestantes devolvendo bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela polícia e entoando palavras de ordem hostis às forças de segurança.
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Por: Paraiba.com


















