O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu a condenação do influenciador fitness Renato Cariani por associação para o tráfico, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de drogas e lavagem de dinheiro.
Nas alegações finais apresentadas em 21 de outubro, a promotoria apontou que a pena pode variar de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de prisão.
Cariani responde ao processo em liberdade. O Ministério Público também pediu a condenação de Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos crimes. Por outro lado, solicitou a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani na empresa Anidrol Produtos para Laboratórios, e de Andréia Domingues Ferreira.
Como o Ministério Público calcula a pena?
O cálculo apresentado pela promotoria considera a associação para o tráfico, 59 crimes de tráfico de insumos destinados à fabricação de drogas e outros 59 crimes de lavagem de dinheiro.
O órgão também solicita o aumento de dois terços da pena pela continuidade delitiva, com base na Súmula 659 do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Apesar da possibilidade de condenação a mais de 50 anos, o limite legal de cumprimento de pena no Brasil é de 40 anos, independentemente da soma das condenações.
As alegações finais representam a última manifestação do Ministério Público antes da sentença. A decisão caberá à Justiça, que ainda deverá analisar os pedidos da acusação e as manifestações das defesas.
Entenda o caso
Renato Cariani se tornou réu em fevereiro de 2024, após ser indiciado pela Polícia Federal em dezembro de 2023, no âmbito da Operação Hinsberg.
A investigação apurou suspeitas de fraudes na comercialização de insumos pela empresa Anidrol, sediada em Diadema, na Grande São Paulo. Segundo o Ministério Público, os produtos químicos seriam destinados ao refino de crack e cocaína.
De acordo com os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), a empresa teria simulado 59 vendas para companhias que não haviam feito pedidos reais. Cariani seria responsável por utilizar solicitações fictícias para justificar a saída dos produtos químicos.
A investigação teve início em 2019, depois que a farmacêutica AstraZeneca informou a emissão de notas fiscais que não reconhecia, referentes ao ano de 2017.
As apurações apontaram que Fábio Spindola teria criado um endereço de e-mail falso em nome de um funcionário da farmacêutica, intermediado entregas de produtos químicos e realizado depósitos em dinheiro na conta da Anidrol.
Já Rodrigo Pereira seria responsável pela movimentação financeira dos valores, com o objetivo de dar aparência de legalidade aos recursos.
O processo também reúne mensagens telefônicas que, segundo a investigação, indicariam contato próximo entre Cariani e o policial civil Anadré Dziuba. As conversas envolveriam o compartilhamento de informações sobre diligências e sugestões de empresas concorrentes para fiscalização.
Em um diálogo de abril de 2019 anexado ao processo, Cariani teria afirmado que determinada substância consultada era “utilizada para aumentar o rendimento da cocaína”.
Com mais de 11 milhões de seguidores no Instagram e 8 milhões de inscritos no YouTube, o influenciador tem 50 anos e é um dos nomes conhecidos do segmento fitness nas redes sociais.
Por: Paraiba.com


















