terça-feira, 18 agosto 2026

como as músicas marcam eleições

Com o início do período de campanhas eleitorais neste último domingo (16), os candidatos estão autorizados a iniciar suas ações de divulgação, como adesivaços, distribuição de santinhos e carreatas, ferramentas tradicionais do marketing eleitoral. Algumas dessas estratégias são utilizadas há décadas e conseguem ultrapassar o período de campanha, permanecendo na memória dos eleitores. É o caso dos jingles políticos.

Com melodias simples, letras fáceis de decorar e refrões marcantes, essas músicas ajudaram a transformar candidatos, números e slogans em verdadeiros “hits” eleitorais. Na Paraíba, jingles de nomes como Zé Maranhão, Lindolfo Pires, Cássio Cunha Lima e Ricardo Coutinho fazem parte da memória política de diferentes gerações. No cenário nacional, músicas associadas a Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro também ganharam destaque e foram incorporadas à identidade de suas campanhas.

Da brincadeira de criança à memória política

O interesse pelos jingles políticos surgiu ainda na infância do pesquisador Joel, entrevistado para esta reportagem. Natural de Alagoinha, no interior da Paraíba, ele acompanhou de perto a movimentação das campanhas eleitorais durante os anos 1990.

“Desde que eu era criança, sobretudo porque eu morava na cidade do interior, em Alagoinha, nos anos 90 era meio que uma brincadeira das crianças daqui ficarem indo nos comícios, inaugurações de comitês, carreatas. Juntava também santinhos”, relembra.

Naquele período, os carros de som faziam parte da paisagem das cidades. Os jingles eram reproduzidos durante praticamente todo o dia, fazendo com que as músicas chegassem repetidamente aos moradores.

“Era carro de som de uma numa rua, o carro de som de outra rua com outro jingle. Hoje é proibido, né? Hoje os carros de som somente em carreatas ou em comícios. Mas na época era rua acima, rua abaixo, então você tinha barulho de 8h da manhã até 10h da noite, no mínimo”, conta.

A exposição constante fazia com que as músicas fossem incorporadas ao cotidiano. As crianças também reproduziam os refrões durante as brincadeiras e na escola.

“O interesse despertou a partir de brincadeiras infantis. A gente terminava na escola, repetia aqueles jingles com os meninos, com os colegas, e fazíamos isso: carreatas, às vezes fazia carreata de um grupo político, depois fazia carreata de outro grupo político”, explica Joel.

A fórmula para permanecer na memória

Para que um jingle seja lembrado mesmo depois do fim de uma eleição, alguns elementos são fundamentais. Entre eles estão a repetição, a simplicidade da letra e um ritmo que facilite a associação com o candidato.

“O que chama a atenção num jingle para ele ficar bem gravado é o ritmo e a letra. Tem que ser uma letra que seja de fácil compreensão e de fácil de você decorar facilmente, além de um ritmo”, afirma Joel.

A estratégia está relacionada à capacidade da música de criar associações emocionais. Ao transformar o nome do candidato, o número de campanha ou uma mensagem política em uma melodia, o marketing eleitoral busca fazer com que a lembrança seja acionada de maneira espontânea.

Por isso, alguns jingles ultrapassam a própria campanha e passam a fazer parte da memória afetiva dos eleitores.

Entre os jingles que mais marcaram a memória de Joel está o associado ao ex-governador da Paraíba Cássio Cunha Lima. Segundo ele, a força da música estava na utilização de elementos capazes de aproximar a campanha do cotidiano e dos sentimentos dos eleitores.

“Mas acho que o que mais marcou de jingle aqui na Paraíba foi Cássio mesmo, que fazia um apelo emocional, elementos do povo, elementos religiosos e dos afetos das pessoas”, destaca.

Lula e a força de “Lula lá”

No cenário nacional, um dos exemplos mais emblemáticos é o jingle utilizado por Lula na campanha presidencial de 1989. O refrão “Lula lá, brilha uma estrela” atravessou diferentes eleições e se tornou uma das marcas sonoras mais reconhecidas da política brasileira.

Décadas depois, a música voltou a ser utilizada em campanhas de Lula, justamente por carregar uma memória construída ao longo de diferentes momentos da trajetória política do candidato.

Para Joel, essa mudança também fez com que os jingles atuais tivessem mais dificuldade para alcançar a mesma permanência na memória que algumas músicas de campanhas anteriores.

“Hoje eles não marcam tanto porque, como eu falei, você tem uma explosão e uma disseminação de muitas informações, muitos jingles que chegam, não tem os carros de som que passavam rua acima, rua abaixo todos os dias, o dia inteiro, os comitês abertos com aqueles jingles, então as pessoas não gravam tanto quanto no passado”, avalia.

Ainda assim, a estratégia permanece viva. Um exemplo citado por Joel é justamente a recuperação do jingle “Lula lá” em campanhas recentes, utilizando a memória afetiva construída ao longo de décadas.

Jingles que marcaram eleições

A história política da Paraíba também é marcada por músicas que se tornaram associadas a determinadas candidaturas e disputas eleitorais. Entre os exemplos estão o jingle de José Américo de Almeida, utilizado em sua disputa pelo Governo da Paraíba em 1950, e a música da campanha de Ronaldo Cunha Lima, que disputou e venceu a eleição para governador em 1990.

Também estão entre os registros de jingles eleitorais paraibanos músicas associadas a candidatos como Veneziano Vital do Rêgo, além de diferentes campanhas disputadas ao longo das últimas décadas.

No cenário nacional, além de Lula, campanhas de diferentes períodos utilizaram músicas para reforçar slogans, números e mensagens políticas, transformando os jingles em parte da identidade eleitoral dos candidatos.

Confira alguns dos jingles políticos

Veja outros jingles políticos emblemáticos
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Por: Paraiba.com

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