Ex-aliado de Jair Bolsonaro, o candidato a deputado federal Julian Lemos (PP) voltou a falar sobre seu rompimento com o bolsonarismo e a aproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o ato do movimento Cristãos pela Democracia, realizado nesta sexta-feira (18), na Praça da Paz, no bairro dos Bancários, em João Pessoa.
Diante de militantes e lideranças religiosas e políticas que apoiam a reeleição de Lula, Julian fez referência direta ao período em que integrou o grupo político de Bolsonaro.
“Hoje eu queria dizer a vocês o seguinte: eu estava lá, mas eu não era um deles”, declarou.
A frase faz referência à trajetória política do ex-deputado. Em 2018, Julian foi um dos principais articuladores da candidatura de Bolsonaro no Nordeste e acabou eleito deputado federal pela Paraíba pelo então PSL, com 71.899 votos.
A relação entre os dois, entretanto, se deteriorou durante o governo Bolsonaro. Julian rompeu com o ex-presidente e passou a fazer críticas públicas ao antigo grupo político.
Em 2022, tentou a reeleição pelo União Brasil, recebeu 36.530 votos e ficou na suplência. Neste ano, filiado ao PP, voltou a disputar uma vaga na Câmara dos Deputados e declarou apoio à reeleição de Lula.
“É aqui que eu me sinto em casa”
No discurso desta sexta-feira, Julian afirmou que se sente acolhido nos ambientes políticos ligados ao campo progressista e agradeceu a recepção dos participantes do ato.
“Eu estava dizendo à minha esposa aqui agora: ‘Manu, eu não sei por que eu estava ali, porque eu só me sinto bem aqui nesses ambientes. É aqui que eu me sinto em casa, é assim que eu me sinto acolhido’”, afirmou.
O candidato disse que sua aproximação com grupos de esquerda contribuiu para sua mudança de posicionamento político.
“O campo progressista, de esquerda, foi quem mais me estimulou a estar exatamente hoje nessa trincheira a favor do fortalecimento da democracia”, declarou.
Julian também afirmou que atualmente considera o bolsonarismo uma experiência superada em sua trajetória.
“Eu tenho hoje o bolsonarismo, para que vocês fiquem muito tranquilos, como uma cicatriz de um câncer que eu consegui vencer”, disse.
A comparação foi feita pelo próprio candidato ao explicar sua ruptura com o antigo grupo.
Religiosidade e defesa da democracia
Julian fala sobre religião
O candidato também abordou sua própria relação com a religiosidade durante o encontro Cristãos pela Democracia.
Ao defender a convivência entre diferentes crenças, Julian declarou possuir ligação com religiões de matriz africana e com a Jurema.
“Já que o assunto hoje aqui é sobre Cristãos pela Democracia, vai aqui o meu amém para quem tem amém e axé para quem tem axé”, afirmou.
Na sequência, declarou: “Eu sou da Umbanda, eu sou do Candomblé, eu sou da Jurema, eu sou alguém que carrega a força da natureza comigo”.
Julian afirmou que, apesar das diferenças religiosas e políticas entre os participantes, o grupo estaria unido, em sua avaliação, pela defesa da democracia.
“O momento agora é para que a gente se una por aquilo que nos liga. O que é que temos em comum? O amor à democracia, a tolerância, o respeito. E é isso que me faz estar aqui”, disse.
Críticas ao antigo grupo e apoio a Lula
Críticas ao antigo grupo
Em um dos momentos mais duros do discurso, Julian criticou o tratamento dispensado a negros e pessoas LGBTQIA+ no ambiente político do qual participou anteriormente.
Segundo ele, algumas pessoas eram acolhidas apenas para serem utilizadas politicamente. Ao fazer essa afirmação, citou o ex-deputado federal Hélio Lopes, conhecido como Hélio Negão, aliado histórico de Bolsonaro.
“Eu conheço aquela turma”, afirmou Julian.
O candidato também fez críticas mais amplas ao eleitorado bolsonarista, chegando a classificá-lo como “o chorume do eleitorado brasileiro”. A declaração representa a avaliação política de Julian e foi feita no contexto de seu discurso contra o movimento do qual participou no passado.
De coordenador de Bolsonaro a apoiador de Lula
A mudança de posição de Julian começou a ganhar novos contornos no início deste ano. Em fevereiro, ele já afirmava publicamente sua aproximação com Lula e chegou a dizer, durante entrevista à imprensa paraibana, que estava “louco por Lula”.
Em junho, tornou público seu apoio à reeleição do presidente. Posteriormente, durante a convenção da Federação União Progressista, em agosto, reforçou o posicionamento e também declarou apoio à candidatura de Lucas Ribeiro (PP) ao Governo da Paraíba.
Nesta sexta-feira, Julian pediu votos a eleitores de Lula e argumentou que os apoiadores do presidente deveriam observar o posicionamento dos candidatos a deputado federal.
“É incompatível o lulista votar em quem não declara publicamente que é Lula”, afirmou.
A declaração integra a estratégia eleitoral do próprio Julian, que disputa uma das vagas da Paraíba na Câmara dos Deputados pelo número 1177. Seu registro consta como deferido pela Justiça Eleitoral.
Ao encerrar sua participação no ato, o ex-deputado voltou a mencionar sua antiga proximidade com o bolsonarismo e apresentou essa experiência como argumento para sua atuação política atual.
“Eu sei como contra-atacar, eu sei como combater aquela família”, declarou.
Por: Paraiba.com


















