A liderança nas pesquisas muda não apenas o patamar de uma candidatura, mas também a estratégia da campanha. Lucas Ribeiro passou a aparecer à frente de Cícero Lucena e Efraim Filho em levantamentos recentes sobre a disputa pelo governo do estado, embora os resultados ainda variem entre os institutos. Nesse novo cenário, surge uma pergunta inevitável: vale a pena o governador comparecer a todos os debates eleitorais?
Até pouco tempo atrás, Lucas precisava dos debates para ampliar sua exposição, apresentar-se ao eleitorado e tentar alcançar os adversários. Agora, ocupando o Palácio da Redenção e figurando na dianteira em parte das pesquisas, a equação se inverteu. Cícero e Efraim precisam produzir fatos novos para crescer, enquanto Lucas precisa evitar erros capazes de comprometer a vantagem construída. Em outras palavras: quem está atrás tem pouco a perder; quem está na frente pode deixar um debate com menos votos do que entrou.
Também não é difícil prever quem será o principal alvo no estúdio. Cícero e Efraim já sinalizaram apoio recíproco em um eventual segundo turno, caso apenas um deles avance para enfrentar Lucas. Embora neguem a existência de um acordo formal, a convergência revela quem será tratado como adversário prioritário. Nos debates, portanto, os dois poderão disputar entre si, mas certamente reservarão a maior parte da munição para o governador.
A campanha de 2022 oferece um precedente que Lucas conhece de perto. Na condição de governador e candidato à reeleição, João Azevêdo entrou nos debates carregando nas costas todos os problemas, contradições e desgastes naturais de uma gestão. Veneziano Vital, Nilvan Ferreira e Pedro Cunha Lima concentraram críticas no governo, questionando obras, segurança pública, pandemia, servidores e decisões administrativas. João venceu a eleição, mas precisou suportar uma verdadeira artilharia eleitoral diante das câmeras.
O próprio presidente Lula avalia adotar uma postura seletiva na campanha nacional. Líder em pesquisas recentes, o petista considera faltar a alguns debates, especialmente diante da avaliação de que será o alvo preferencial dos adversários e terá de enfrentar uma sequência de ataques. A lógica é semelhante: para quem está atrás, a pancadaria pode representar uma oportunidade de crescimento; para quem lidera, pode significar apenas desgaste e exposição desnecessária.
Isso não significa que Lucas deva fugir do confronto ou se esconder do eleitor. Debates são importantes para a democracia e para a comparação de propostas. A questão é saber se o governador precisa participar de todos ou se pode selecionar aqueles de maior audiência, credibilidade e relevância. Comparecer a alguns grandes encontros, preparado para defender sua gestão e responder aos ataques, pode ser mais eficiente do que entrar em cada estúdio para servir de alvo a dois adversários que, desde já, parecem unidos pelo mesmo objetivo: retirar Lucas Ribeiro da liderança.
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Por: Paraiba.com


















