terça-feira, 1 setembro 2026

Polarização aproxima Efraim do 2º turno, mas o teto é baixo

A polarização nacional começa a ajudar Efraim Filho (PL) na disputa pelo Governo da Paraíba. A pesquisa Quaest colocou o senador com 18% das intenções de voto, apenas um ponto atrás de Cícero Lucena (MDB), que tem 19%. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados na disputa pela segunda vaga. Lucas Ribeiro (PP) lidera com 38%.

Quando os números estaduais são comparados com a eleição presidencial, aparece uma coincidência interessante. Flávio Bolsonaro tem 21% na Paraíba, enquanto Efraim registra 18% para governador. A diferença é pequena e mostra que o candidato do PL já conseguiu capturar boa parte do eleitorado que gravita em torno do bolsonarismo e da direita no Estado. Lula, por outro lado, lidera a corrida presidencial na Paraíba com 50%.

Os recortes da própria Quaest deixam essa concentração ainda mais evidente. Entre os bolsonaristas, Efraim lidera com 42%, contra 19% de Lucas e 13% de Cícero. Entre os eleitores de direita que não se consideram bolsonaristas, o senador também fica na frente, com 39%, enquanto Lucas tem 28% e Cícero, 17%. Efraim conseguiu, portanto, ocupar com bastante eficiência o espaço político da direita paraibana.

Essa polarização pode ser justamente o combustível que faltava para levá-lo ao segundo turno. Com Cícero estacionado em 19% na fotografia da Quaest e Efraim com 18%, basta ao candidato do PL consolidar ainda mais o eleitorado identificado com Flávio Bolsonaro para transformar o empate técnico em vantagem numérica.

O problema é que a mesma pesquisa que mostra a força de Efraim dentro da direita também revela sua dificuldade para sair dessa bolha. Entre os independentes, que representam um terreno fundamental para qualquer candidatura que pretenda ampliar sua votação, Efraim tem apenas 13%, contra 41% de Lucas. Entre os lulistas, cai para 11%, e entre os eleitores de esquerda não lulista registra somente 2%.

Há outro número ainda mais simbólico. Quando a Quaest pergunta se o eleitor prefere um governador aliado de Lula ou de Flávio Bolsonaro, 50% escolhem um aliado de Lula e apenas 20% preferem um aliado de Flávio. É praticamente o mesmo tamanho do eleitorado presidencial de Flávio, de 21%, e muito próximo dos 18% alcançados por Efraim. Os números sugerem a existência de um campo conservador relevante na Paraíba, mas também apontam que ele possui limites bem definidos.

Até mesmo a simulação de segundo turno reforça essa dificuldade de expansão. Contra Lucas Ribeiro, Efraim chega a 33%, enquanto o governador aparece com 47%. Quando a disputa simulada é entre Cícero e Efraim, Cícero marca 39% e o senador, 32%. Ou seja: Efraim é extremamente competitivo para conquistar uma vaga no segundo turno, mas ainda encontra resistência quando precisa buscar votos fora do seu campo político original.

A Quaest, por ser o primeiro levantamento do instituto na Paraíba nesta eleição, não permite medir tecnicamente o crescimento de Efraim em uma série histórica própria. Mas a fotografia é politicamente expressiva: ele está a apenas um ponto de Cícero e já domina o eleitorado de direita. A questão agora deixa de ser apenas quanto Efraim consegue crescer dentro do bolsonarismo e passa a ser outra: quanto consegue crescer fora dele?

A polarização pode ser suficiente para empurrá-lo ao segundo turno. Mas, se os 18% de Efraim estiverem fortemente ancorados nos mesmos aproximadamente 20% que preferem Flávio Bolsonaro e seus aliados, o candidato pode estar se aproximando não apenas do segundo turno, mas também do seu teto eleitoral atual. Para romper essa barreira, terá que fazer justamente o que os números da Quaest mostram que ainda não conseguiu: furar a bolha.

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Por: Paraiba.com

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