A pesquisa Quaest colocou uma dúvida estratégica no colo da campanha de Lucas Ribeiro: até que ponto o governador deve associar sua imagem à do presidente Lula para tentar liquidar a eleição ainda no primeiro turno?
Lucas lidera a disputa pelo Governo da Paraíba com 38%, contra 19% de Cícero Lucena e 18% de Efraim Filho. Excluindo os 10% de brancos e nulos e os 12% de indecisos, o governador aparece com aproximadamente 48,7% das intenções de votos válidos. Ou seja: está muito perto da maioria necessária para vencer sem segundo turno.
E talvez parte dos votos que faltam esteja justamente em Lula.
O presidente aparece com 50% das intenções de voto na Paraíba, contra apenas 21% de Flávio Bolsonaro. Mais importante do que isso: 53% dos paraibanos dizem preferir um governador aliado de Lula, enquanto apenas 20% querem um governador alinhado a Flávio. Outros 25% preferem alguém independente.
O poder de transferência também pesa na equação. Para 40% dos entrevistados, o apoio de Lula aumenta a possibilidade de votar em determinado candidato ao Governo. Apenas 22% dizem que esse apoio diminui suas chances de voto. Com Flávio Bolsonaro ocorre praticamente o inverso: seu apoio aumenta a possibilidade de voto para apenas 19%, enquanto diminui para 42%.
Matematicamente, portanto, parece tentador para Lucas ser “mais Lula”.
Mas política não é apenas soma. Também é subtração.
A mesma Quaest mostra que Lucas conseguiu construir uma candidatura que ultrapassa as fronteiras ideológicas. Ele tem 45% entre os lulistas, 44% entre os eleitores de esquerda não lulista e 41% entre os independentes. Mais surpreendente é que ainda consegue registrar 28% entre eleitores de direita não bolsonarista e 19% até mesmo entre os bolsonaristas.
É justamente aí que mora o risco.
Uma associação demasiadamente intensa com Lula pode ajudar Lucas a converter uma parcela dos eleitores lulistas que ainda votam em Cícero — o ex-prefeito tem 28% nesse segmento — e levá-lo acima dos 50% dos votos válidos. Por outro lado, transformar a eleição estadual numa extensão da disputa presidencial pode afastar parte do eleitorado de direita que hoje aceita votar em Lucas apesar de apoiar o campo bolsonarista nacionalmente.
Lucas parece ocupar hoje uma posição eleitoral privilegiada: é o candidato apoiado por Lula sem depender exclusivamente do lulismo. Consegue liderar entre lulistas, esquerda e independentes e, ao mesmo tempo, ainda penetrar em setores da direita.
A questão para sua campanha, portanto, talvez não seja simplesmente escolher entre Lula ou não Lula. É descobrir a dosagem.
Ser mais Lula pode representar os poucos pontos que faltam para vencer no primeiro turno. Ser Lula demais pode custar votos que hoje chegam justamente porque Lucas ainda consegue se apresentar como uma candidatura mais ampla que a polarização nacional.
Entre avançar sobre um eleitorado em que Lula tem enorme capacidade de transferência e preservar a transversalidade que permitiu chegar aos 38%, está provavelmente uma das decisões mais importantes da reta final da campanha.
Ser mais Lula ou menos Lula, eis a questão.
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Por: Paraiba.com


















