segunda-feira, 7 setembro 2026

TJPB entra no radar nacional com julgamento de prefeito afastado de Cabedelo

O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) deve ganhar a atenção da imprensa nacional na próxima quarta-feira (9), quando julgará o recurso apresentado pelo prefeito afastado de Cabedelo, Edvaldo Neto (Avante).

Eleito com 61,21% dos votos válidos na eleição suplementar realizada em abril, Edvaldo tenta reverter a decisão que o mantém longe do comando da Prefeitura enquanto avançam as investigações da Operação Cítrico. O caso já repercutiu em veículos nacionais desde a deflagração da operação.

O julgamento ganha extrema relevância porque coloca novamente no centro do debate uma questão que ultrapassa as fronteiras da Paraíba: a suspeita de infiltração de facções criminosas na política e na administração pública.

Segundo as investigações, um suposto esquema teria reunido agentes públicos, empresários e integrantes da chamada “Tropa do Amigão”, apontada como ramificação do Comando Vermelho, envolvendo contratos públicos que podem chegar a R$ 270 milhões. A apuração cita suspeitas de fraude em licitações, desvio de recursos, lavagem de dinheiro e financiamento de organização criminosa.

E não se trata do primeiro episódio envolvendo crime organizado e eleições em Cabedelo. A eleição suplementar vencida por Edvaldo somente ocorreu porque o TSE manteve a cassação do então prefeito André Coutinho e de sua vice, após processo que apontou abuso de poder, compra de votos e atuação conjunta com integrantes de organização criminosa nas eleições municipais de 2024. Na ocasião, o próprio TSE destacou a gravidade da infiltração de facção criminosa na estrutura administrativa e sua utilização para fins políticos e eleitorais.

Agora, poucos meses depois, Cabedelo volta ao centro de um caso envolvendo suspeitas sobre a relação entre poder público e crime organizado. Caberá ao TJPB decidir se permanecem os fundamentos que justificaram o afastamento cautelar de Edvaldo Neto ou se o prefeito poderá reassumir o mandato enquanto as investigações prosseguem.

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Por: Paraiba.com

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