A participação de Pedro Cunha Lima em um evento político do ex-prefeito de Cabedelo, Vitor Hugo, expõe uma incoerência gritante. O ex-deputado, tão à vontade para cobrar moralidade dos outros, resolveu emprestar seu prestígio a um aliado com um histórico judicial que deveria constranger qualquer defensor da ética. Pelo visto, o rigor diminui bastante quando chega ao próprio palanque.
Vitor Hugo foi condenado pela Justiça Eleitoral em processo que examinou a infiltração do crime organizado na administração de Cabedelo – mais precisamente a Tropa do Amigão, sucursal do Comando Vermelho na Paraíba.
Na última segunda-feira (14), o TRE-PB também indeferiu sua candidatura a deputado estadual, acolhendo a impugnação baseada na relação apontada entre o ex-prefeito e uma facção criminosa. É esse o aliado que Pedro decidiu prestigiar.
Participar de uma atividade de campanha significa oferecer respaldo político e ajudar a conquistar a confiança do eleitor. Ao fazer isso por Vitor Hugo, Pedro ajuda a normalizar um histórico gravíssimo. O discurso da moralidade fica bonito nas entrevistas, mas perde credibilidade quando seu autor demonstra tanta disposição para passar pano dentro de casa.
Pedro precisa responder: o que acha de políticos que se aliam ao crime organizado? E como justifica apoiar alguém cuja candidatura foi barrada justamente por esse fundamento? A pergunta merece a mesma firmeza que ele costuma exigir dos adversários. Até lá, sua presença no evento deixa uma imagem difícil de apagar: a do paladino que cobra princípios em público e os flexibiliza conforme a companhia.
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Por: Paraiba.com


















